-Ei,Psiu.Você de branco,aí!Ei,espera,olha pra mim.
No meio da rua,na multidão,o olhar se destacou.Aquele olhar de enfeitiçar,hipnotizar.
- Te vi de longe,disseram-me que trouxe algo pra mim.Pode me apresentar?-suplico.
Vii além do olhar um sorriso contagiante,mais uma vez,enfeitiçador,hipnotizador.
-Por favor,já estou começando a ficar impaciente.
Mais uma vez, esta pessoa sorrir.
Eu cada vez mais curioso naquela multidão,sinto um silêncio angustiante ,que só eu ouço.
-Ei, você de branco,não fujas!Queria apenas pedir-te que me entregue o que tens pra mim.
Aquela alma corre entre as ruas da avenida.Eu a persigo como um cão farejante persegue o rastro de algo.
-Espere.
Corro,até me ver numa rua sem saída,agora não havia multidão,nem silêncio chato.A alma branca para.Para.Se vira.Sorrir.
- Você já recebeu o que precisa-disse-me ela.
Eu encontrando-me confuso,presto atenção nela.
- O que tinha pra lhe mostrar,já lhe mostrei.Quando olhou pra mim, te mostrei que pode ver, dentro da multidão,o olhar de quem quer te chamar atenção, por mais que não tenha nada a lhe oferecer,mas você prestou atenção em mim.Mostrei o sorriso que te encantou,por ver que eu estava sorrindo, te trouxe também paz,te tranquilizou e fez você esperar.E agora,mostro-te a solidão, que essa rua sem fim expressa.Se você quiser ficar por aqui, pode ficar,porém ficará sem enxergar as cores lá fora,já que me viu branca, poderia ver um arco-íris inteiro,poderia ver outros sorrisos na multidão.Vem viver.Outras cores podem te enfeitiçar.Mas aqui, você não terá opção, só o breu da solidão.

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