segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dama da Noite.

Pontualmente às 22 horas ela seguia seu rumo.Uma hora antes, havia esquentado o leite que ganhara para seu mais novo filho, enquanto os quatro mais velhos se serviam com um banquete de três colheres de arroz cada.Duas horas antes, levara os cinco filhos ao rio mais próximo para o único banho do dia, assim como a lua se banhava naquele momento, eles mergulhavam nas águas da esperança.Todo dia, o dia todo, levava os quatro filhos; um de 10 anos, dois de 11 anos e uma de 12 anos, que já seguia a carreira da mãe; à escola.Escola pela qual não existia nem quadro negro, tão pouco caderno e lápis.A escola era a vida nos semáforos, os equipamentos eram bombons, chicletes e moedas.Pediam nem que fossem dez centavos para completar o arroz mais tarde.Nas mãos ferimentos por falta de hidratação;por falta de água.Escola exemplar.
Às 22 horas ela seguia seu rumo.Colocava aquela saia justa que comprou quando tinha 24 anos,há 3 anos.Comprou com o ganho de noite, e ainda por conta que o cliente foi generoso.Pois bem; vestia a saia com um mini top e ainda calçava os sapatos doados por sua antiga cafetina;Zuzu.Mesmo assim, com todas as dificuldades, ela seguia pelas ruas frias da cidade, até que aguçava os sentidos da presa.Caçava faminta a noite toda,parecendo um animal.A caça se transportava diretamente para a mesa da família.Ela era o prato principal de todos os dias de movimento.E todos os dias tinha que levar o prato para casa.






Foto: Wallace Freitas

5 comentários:

  1. Uma leitura excelente... Mais cultura e vemos um pouco da realidade de uma pessoa que precisa viver assim. Muito bom!! Parabéns.

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  2. Triste realidade de muitas mulheres...
    Ótimo texto!

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  3. Tu arrasa, amiga! Parabéns pelo blog! Sou tua fã! Pri

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